Quinta-Feira, 2 de Julho de 2009| Ano 2

Meu gabinete tá de portas abertas
Cícero Lucena
Senador, do PSDB, referindo-se ao apelo feito por Ricardo a Ronaldo.
Grampos: debate estéril, insosso e subjetivo
Existe discussão mais besta do que essa dos supostos grampos telefônicos? Na minha opinião é um verdadeiro festival de abobrinhas e os espaços da mídia estão sendo subocupados. O secretário de Segurança do estado deveria está resolvendo os gravíssimos problemas da escalada da criminalidade, crimes de pistolagem e outras coisas mais. O chefe de Gabinete do prefeito deveria focar mais nas pendências de sua pasta e o líder da oposição deveria cuidar das insubordinações de sua bancada, que aliás, mamou nas tetas da verba social.
Debater supostas escutas é pautar o debate como subjetivo. Com crianças morrendo no parto, a gripe suína chegando, agricultores perdendo a lavoura e centenas de pessoas correndo risco de serem enterradas vivas em um deslizamento de barreira, querer focar nessa briga de comadres escutando a conversa da outra é não ter o menor respeito pelos paraibanos.
Até quando a classe política vai tripudiar sobre os conterrâneos. E o pior é que as gerações passam e a burrice permanece. Proselitismo, clientelismo e corporativismo. Go home!
O que Chico César poderá fazer pela cultura?
Deixei baixar a poeira de estrelas que envolve a nomeação do talentosíssimo Chico César como secretário de Cultura de João Pessoa para fazer uma avaliação menos festiva do que poderá ser sua gestão a frente da Funjope. Antes quero salientar que conheço Chico desde a época da ditadura e que ele não é mais aquele idealista que vivia do bandejão da UFPB, apresentava shows com o título “Pão doce recheado com granada” e tinha Débora Vieira como musa.
Faz algum tempo que aquele cabeção saiu dos cueiros do Jaguaribe Carne de Pedro Osmar para mostrar sua peleja de uma forma macro. Acredito piamente na sensibilidade e propósito do artista Chico, mas duvido que o cidadão que assumiu a Funjope tenha condições de criar um link entre o ideal e o possível.
E não pode porque iniciativa privada é uma coisa, poder público é outra. De fato ele pega um bonde andando e devo dizer que de certa forma a política cultural da gestão Ricardo Coutinho é bastante interessante - apesar de não ser top - e essa água vem jorrando desde o olho dágua da gestão de Luís Carlos Vasconcelos e o esforço reconhecido do sucessor Lau Siqueira.
Talvez Chico queira fazer pela nova geração o que não fizeram por ele. Oferecer o apoio do poder público e não um peito, pois seu papel é fomentar e não bancar a obra/vida prima de ninguém. O que um dia o Jaguaribe Carne sonhou Chico não conseguirá implantar. No máximo chegará a uma versão chapa branca do lendário Musiclube, aparelho politizado que politizou e fez muita gente ingressar na guerrilha cultural.Cá pra nós, com quase cincquenta anos estou cansado de pirotecnia .
Outro dia encontrei Chico lá no restaurante Cumbuca e de forma instintiva fui logo lhe chamando de gordo, mas sou testemunha de que foi com fome que Chico César lapidou o diamante que tinha dentro de si.
Desejo sorte ao secretário e inspiração ao artista. A luta continua companheiro. Em tempo: Chico hoje ganhou mais dois merecidos prêmios nacionais e a Paraíba tá orgulhosa do artista. Espero que daqui a pouco o cidadão também faça a classe artística feliz.
Deixaram Rômulo caminhar no fio da navalha
Tenho profunda simpatia pelo gordinho Rômulo Gouveia e quem mora em Campina sabe que no segundo turno da recente eleição para prefeito integrei o seu staff de marketing e que suei a camisa por uma vitória que não veio .Estava vindo de Pombal no dia seguinte ao pleito e ainda comemorando a eleição de Daniella, Polyana, Virgínia e de outros 11 clientes que lograram êxito nas urnas. Na alça que contorna Campina mudei o itinerário e aterrisei no Garden Hotel, onde permaneci cerca de 20 dias até aquela passeata espetacular que fechou nossa campanha com chave de ouro.
Poderia ter ido descansar, pois a maioria dos meus clientes tinham sido eleitos e o marqueteiro aqui estava fadigado e empapuçado de política. Outra coisa: a esposa Sellma e os filhos estavam cobrando a minha presença em casa.
Preferi cerrar fileiras com o gordinho e no dia seguinte estive no seu apartamento lá no hotel para fazer a minha primeira intervenção, que foi a criação do bordão “legal, legal, legal, o gordinho é lega!”, um contraponto a ilegalidade de um cheque da saúde depositado na conta de campanha do prefeito, que logo ganhou as ruas e virou marca registrada. Bastava levantar um polegar - legal!- que todo mundo sabia que o voto seria em Rômulo.
Tentei convencer os caras da Mix de que a população pobre não assimilava a história do cheque da saúde da maneira que estava sendo explicada e que o certo seria criar os “vampiros”, figuras diabólicas que sugam sangue humano. Coisa simples: vampiro começa com V de Veneziano e se colocassem vários “vampiros cabeludos” nos sinais da cidade logo a massa iria associar Veneziano a sangria nas verbas públicas.
Não quiseram levar o que eu disse adiante, coisa da vaidade humana, de quem não sabe trabalhar em grupo e quer ganhar a fama sozinho.
Pois bem, mas o que quero abordar mesmo é a notícia confirmada hoje de que Rômulo teve as contas rejeitadas e foi condenado a quatro anos de inelegibilidade.
É que Rômulo foi tão mal assessorado que sequer a burocracia souberam organizar. Ele não merece o que deixaram de fazer por ele e o PSDB de Campina tem que se retratar.
Sei que a condenação cabe recurso e que lá na frente o esfroçado e competente advogado Zé Mariz pode reverter, mas esse negócio de tentar remendar é coisa de quem gosta de gambiarra ou adora a adrenalina de andar no fio da navalha.
Rômulo merecia tratamento melhor, profissional.
Se um é o Sol, o outro já quer ser um eclipse
Faltando exatos 12 meses do prazo final para realização de convenções e escolha dos candidatos majoritários e proporcionais, a campanha do próximo ano começou pelo fim. Imaginem três adversários convivendo em um quarto apertado e de repente alguém apaga a lâmpada. Obviamente que todos se aproveitam do anonimato do escurinho para meter o dedo no olho do outro. Mas percebam que a lâmpada estava acesa e a baixaria só começou quando foi apagada. Todo mundo vai provar traíra à moda da casa
Se eu fosse Ricardo Coutinho aproveitaria a deixa e faria uma visita ao senador Cícero Lucena no Senado o mais rápido possível. Cícero disse pra todo mundo ouvir que o seu gabinete estava aberto para Ricardo Coutinho. Ricardo disse que esteve com Ronaldo Cunha Lima para apelar por sua intercessão junto a Cícero. Dispensem os intermediários e acabem logo com essa pendenga.
Particularmente não acredito em união das oposições logo no primeiro turno. Particularmente não acredito que o grupo governista marche unido com a candidatura de Maranhão. Haverá rachaduras por todos os lados, ninguém entrará no jogo unido e quem estiver pensando em costurar o consenso é bom arranjar o que fazer para não desperdiçar o seu tempo.
Cícero faz a parte dele quando se mostra cortez e disponível ao diálogo político. É aquela coisa: ele pegou o gancho e demonstrou grandeza. Agora Ricardo vai ter que ir até Cícero, pois a porta está escancarada. Se não for se queima, mostra pequenez política e pode ser taxado de mentiroso.
Se o assunto de Ricardo é o bem de João Pessoa, que teria uma emenda fora do alcance do prefeito e sob a tutela de Maranhão, essa é a chance de resolver o problema.
Se o tema variar durante a conversa e o assunto for um pacto de não agressão eu acho inteligente de parte a parte.
Mas tenho certeza que dessa mata não sai coelho, assim como tenho certeza de que o PT vai fechar com Maranhão e ponto final.
Isso não quer dizer que o PSDB de Cícero vá necessariamente ser fiel a ele. Isso não quer dizer que o PT de Luís Couto e o próprio PSB de Ricardo virem exemplo de fidelidade. O chifre vai comer no centro e vai ter candidato traído de todos os lados. A traíra, um peixe de água dôce, vai ser o prato principal, seja ao moilho de côco ou de tomate.
Grampeados, neuroses, o vaqueiro e o esteira
A tecnologia disponibiliza meios antes só acessíveis àqueles que trabalhavam em agencias de espionagem tipo CIA, KGB ou SNI. Hoje em dia qualquer técnico em telefonia é capaz de grampear um telefone celular ou convencional. Com 100 reais se grampeia, com 100 reais se faz varredura para tirar o grampo. E olha que existe grande oferta desse tipo de serviço na praça. Por outro lado, basta a eleição se apoximar que logo começa a neurose do " meu telefone tá grampeado". Bem nos negócios, mas tá quebrado na política
O deputado federal Damião Feliciano aproveitou-se da visita do ministro do Trabalho Carlos Lupi, do PDT, a Paraíba para fazer aquela visitinha estratégica as dependências do Palácio do Governo. Damião não tem feito segredo a ninguém de que ainda não se definiu para 2010. Ninguém pode afrimar que o deputado está na oposição, ninguém pode provar que ele seja situação. Damião está disponível e ponto final. O que tanto conversam Eduardo e Aguinaldo?
Dou um doce para quem descobrir o que tanto conversavam o deputado estadual Aguinaldo Ribeiro, do PP, e o empresário Eduardo Carlos sábado passado em uma praça lá em Monteiro. Quem avistou a conversa de longe arrisca que não era sobre coisa pouca. Aguinaldo e Eduardo ainda vão acabar formando uma dupla.Se os ricos tocam, os pobres é que vão dançar
Perguntar não ofende: em Patos, depois de uma madrugada de muito forró e álcool, as pessoas botam a cabeça no travesseiro e dormem sabendo que perto dali centenas de conterrâneos ainda padecem vitimados pelas chuvas? Soube que o prefeito Nabor Wanderley investiu pesado no São João da cidade e que o evento teve mais de 1 milhão de reais captado através da Lei Ruanet. E Aviões do Forró é cultura?
Não sou daqueles que gosta de colocar água no chope de ninguém, mas convenhamos que entre construir casas e entregar o dinheiro pras bandas de Fortaleza a primeira opção é a mais sensata.
O danado é que nossa gente, principalmente quem mais precisa, prefere o circo. A embriaguez popular é parceira da esperteza política. E nesse círculo vicioso os esquemas tragam e o pobre leva fumo.
Quem será o deputado estadual lá de Pombal?
Tenho grande curiosidade e quase devoro as unha para saber quem será o candidato de Polyana Feitosa a deputado estadual? Geraldinho, seu vice, sonha em adentrar o Plenário da Assembléia a bordo de um elegante paletó preto com riscas de giz. Neto Paixão faz um estilo conformado, mas toma dois Lexotans pra dormir toda vez que alguém fala que ele deveria tentar. Silvano e Sivanildo não querem, Raimundo de Freitas não se manifesta e Levizinho gosta mesmo é de bodes.
Mas sei que tem uma pessoa em Campina Grande fingindo que está satisfeito como alto funcionário da Caixa Econômica Federal. O sonho do bacana? Ser o deputado de Pombal.
Aquela cidade sertaneja é assim mesmo. Tem sempre uma reserva de lideranças aquecendo na saída do túnel.
Quem já deu a luz ao senador Ruy Carneiro, Levi Olímpio, Tião Gomes, Carlos Dunga, Carneiro Arnaud e Jairo Feitosa, pode e vai oferecer a Paraíba os seus frutos. Qualquer dia desses eu apareço para jogar conversa fora e tomar cervejinha gelada com os amigos lá na rodoviária. E olha que são muitos .